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Irlanda, Dublin MAIO 2014

Maio Apressado, Parte II


Dia 2 de Maio embarquei para uma viagem de duas semanas dedicadas a mim mesma e à fotografia. Com uma mala de mão, máquina fotográfica, lentes, baterias e cartões, mandei-me à aventura (sozinha como tem sido hábito). Primeira paragem, primeira semana: Irlanda – Dublin.

Bem-vindos 



Quando passamos anos habituados a ter perto de nós aquela pessoa a quem tanto dizemos as maiores verdades como as maiores barbaridades, e essa pessoa de repente vai viver para quilómetros de distância, as viagens passam a ser parte integrante da nossa vida. É o caso da Sofia. Somos melhores amigas há praticamente 10 anos e sempre estivemos perto uma da outra,  apesar de já termos mudado de cidade algumas vezes no passar dos anos. Agora casada e com novos objetivos foi viver para Dublin e claro que as saudades apertam e não há melhor desculpa do que esta para viajar.

Da cidade posso dizer que apesar de não ser uma grande capital em termos geográficos é grande em interesse. Com muita cultura musical (não tivessem os U2 iniciado gravações ali por exemplo e a Irlanda ser o berço da musica celta) e expressão artística que se vê bem expressa até nas ruas, não me podia ter cativado de melhor maneira. A presença de autores/escritores de peso como James Joyce ou Samuel Beckett, também está bem marcada pela cidade que demonstra o seu orgulho por uma literatura rica que se resume um pouco no Museu do Escritor. Para além disso gostei muito dos Irlandeses no geral - adeptos de boas desculpas para momentos de convívio, bem-dispostos, simpáticos e muito educados, apesar da meteorologia esquizofrénica – sim porque saímos de casa com céu nublado, entretanto abriu um sol fantástico para logo a seguir vir uma chuvada com rajadas de vento, de tal modo que chegamos a casa que nem “pintos” e com um ataque de riso. Para adicionar, Dublin é uma cidade bastante multicultural, não estivesse esta entre as 30 mais globalizadas do mundo. Acabei por conhecer alguns dos colegas da Sofia por lá, todos de diferentes cidades europeias, pessoal muito boa onda e com mentalidade aberta, bem à minha medida.



Nos primeiros dias andamos pelo centro da cidade (O'Connell St. e Dorset St.). Num beco debaixo da ponte do comboio, quase despercebido encontra-se o pub O’Rilleys que aconselho a visitarem, não só porque as pints são mais baratas, mas também porque o próprio espaço é bastante irish.  
Percorremos o centro e fomos visitando os marcos da cidade, como o Trinity Collegue onde está exposto o Book of Kells (wiki) e onde se pode visitar a Long Room ou Old Library (vale a pena a fila de espera e o preço do bilhete – 9€).

Se forem entusiastas de BD, Anime e cenas afins, não podem deixar de visitar a Forbiden Planet perto da ponte Liffey e aproveitem para conhecer o mercado no pub Grand Social do outro lado do rio.
Em Dublin 2 (o outro lado do rio) há ruas como a Drury e a Grafton Str que valem a pena percorrer e explorar cada uma das lojas que lá existem, como por exemplo a Industry e a Irish Design, de design de utilitários que nos suscita uma impulsiva vontade de levar tudo para casa, ou a Fallon & Byrne, um sitio lindo de comida biológica e gourmet que é supermercado, adega e cafetaria, tudo muito bem delimitado e distribuído num edifício lindíssimo, e ainda o Cocoa Atelier que a própria montra com deliciosas torres de macarrons nos interjeita a obrigatoriedade de lá entrar e comer alguns. De aproveitar também é o St Georges Arcade Market que tem para escolha várias lojas de segunda mão onde, com alguma paciência, se encontram oportunidades e tesouros. 
Zonas inevitáveis são, sem dúvida, o Temple Bar e Dublinia. O primeiro pela animação e o pitoresco social tão típico dos irlandeses, e o segundo pela história e toda a envolvência vicking e celta que se faz sentir. É aqui que encontramos o castelo de Dublin, onde anualmente fazem um festival dedicado ao Drácula, a imponente Christ Church e o curioso Museu Dublinia sobre a história da Irlanda, com foco em Dublin. 


A cidade acaba por ter duas facetas, facilmente distinguidas pela arquitectura que as caracteriza, a mais antiga e pitoresca da qual já falei, e a mais moderna e recente: Docklands. Das 24 pontes que ligam Dublin1 a Dublin2, a Samuel Becket é a mais conhecida e situa-se nesta mesma zona. Posso dizer que esta foi a zona que enriqueceu a minha coleção de pretos e brancos.




Quem me conhece sabe que eu costumo documentar/fotografar streetart nas minhas viagens, e em Dublin não foi exceção. Encontramos, por toda a cidade, arte urbana em várias expressões e, curiosamente, a zona de Docklands tem grandes peças, por exemplo a U2 Wall, frente ao Estúdio 9 - onde os U2 gravaram o seu primeiro disco; e por perto também o Windmill Lane, um antigo complexo igualmente utilizado pelos U2, que se encontra agora encerrado e as paredes encontraram outra utilidade: o streetart e graffiti legal. Tive também a oportunidade de fotografar uma peça comissariada pelo HotelGibson do artista Fin Dac, o que me deixou muito contente, pois tinha acompanhado o processo da sua execução pelo instagram, e foi fantástico ter a oportunidade de a ver ao vivo.
Windmill Lane | foto por Sofia Peixe

Para além de Dublin também visitei duas vilas piscatórias nas redondezas: Dún Loghaire e Howth. Para ambas as vilas, além dos meus queridos anfitriões (a Sofia e o Alan), tive a companhia da Ângela e do Rogério, que foram cruciais visto terem carro (acreditem ou não, mas viajar de carro na Irlanda tem o seu quê de curioso lol).  Dún Loghaire parece uma pequena vila de veraneio, com casas de jardins virados para o mar, com típicas escadarias que nos guiam até à porta principal, e as janelas com cores bonitas, mas gastadas de modo charmoso e natural pelo ar salgado. Na verdade fomos lá para aproveitar o mercado de comida e toda a parafernália de tendas e bancas. Foi uma tarde de degustação e de aproveitar a companhia uns dos outros e do tempo que, surpreendentemente, se mantinha agradável e ameno. A motivação para Howth não foi muito diferente, mas a vila em si é completamente diferente. Com uma marina no centro da vila e muitos barcos de pesca aportados, a população mais afluente são, sem dúvida, as gaivotas que sobrevoam em constante vigia à procura do alimento fácil. Quem por lá anda também à procura do mesmo são focas. Isso mesmo, focas! E é tão fácil avistá-las... basta-lhes ver pessoas na berma da marina para se acercarem. Howth é o sítio perfeito para comer o melhor e mais fresco marisco que aquela zona Irlandesa nos pode dar, e depois de comermos pude perceber todo aquele entusiasmo dos mamíferos e aves apreciadores de peixe.  Outro sítio fantástico que visitamos de passagem, muito perto de Howth, foi o Farol Baily. Apesar do vento que se fazia sentir, o mar a perder de vista, o nevoeiro no fundo a juntar o céu com o mar frente àquele pedaço de terra adornado com um pequeno farol, valeu tanto a pena! Que vista maravilhosa! Tão maravilhosa, fui em viagem para Dublin em sonhos pendentes e a pensar o quanto tenho tido sorte em poder testemunhar momentos de beleza como este.





Resta-me agradecer aos meus anfitriões, irmãos e amigos do coração: a Sofia e o Alan 




São tantos os pequenos detalhes e sensações que trouxe da Irlanda que já se tornaram parte de mim e são agora praticamente indescritíveis. Por tudo isto e por ter deixado um pedaço do meu coração por lá, Dublin deixou saudades.


Dia 7 de Maio parti de Dublin para Londres. 
(continua…)





1 comentário:

  1. aww adorei este post :) faz-me sentir mais feliz ainda por me ter mudado de vez para cá ^_^
    nem me fales no Fallon & Byrne, ando a evitar passar lá perto porque a tentação é tamanha...! tanta coisa para ver, tanta comida para experimentar, mas nunca há tempo/dinheiro suficiente para tudo. bonitas fotos, gostei de ver!

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