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Abril transitório para um Maio apressado. Parte I


Abril apresentou-se como um mês de transição e a preparação de um Maio em correria. O resumo destes meses alongou-se porque muita coisa boa aconteceu e muitos projetos se cruzaram comigo que eu faço questão de vos escrever sobre eles.




No primeiro fim de semana, devido a uma reunião de trabalho que não podia ser adiada, fui matar saudades dos amigos que tenho no Porto e da cidade em si. Por isso sexta começou por ser a trabalho no âmbito do cargo que desempenho de representação do grupo em Portugal para o qual trabalho no Comité Europeu do mesmo, e acabou num jantar de amigos em casa do Fred. Este foi um fim-de-semana especial, como é sempre quando vou ao Porto, mas desta vez foi ainda mais significativo por coincidir com o segundo concerto dos Oh Honey - a banda do Fred Gomes com a Raquel Caldevilla e a Daniela Maia, mais o Sebastião Barros, o João Hierro e o Tiago Pinto. Foi importante poder presenciar este concerto não só por ser uma banda constituída por alguns amigos que me são muito queridos, mas por poder usufruir do ambiente divertido e descontraído que eles criam ao som da música fantástica que fazem. Por isso sábado, dia 5 de Abril, todos compareceram no Breyner e encheram a casa para ouvir os fantásticos Oh Honey, que deixaram toda a gente ansiosa pelo próximo concerto.  Fiz também uma sessão espontânea com a Diana Vinha para a rubrica look da semana do blog Pretty Exquisite (podem ver a publicação online aqui e aqui).  Não é a primeira vez que fotografo a Diana e tenho todo o gosto em fazê-lo, não só porque a considero uma das mulheres mais bonitas/fotogénicas e com bom gosto que conheço, mas também porque a considero uma amiga que se tem tornado cada vez mais querida na minha vida. Fizemos a sessão a caminho da Exposição de ilustração Âncora da Circus.



Entretanto, já em Lisboa, inscrevi-me num workshop para o sábado dia 12, “Eu e os outros: liderança e comunicação”, como forma de apoiar este projeto e impulsionada por ter conhecido um dos anfitriões do mesmo. O Ludodependentes é direcionado "à formação e coaching, adaptado e personalizado, num ambiente “controlado” para ajudar a desenvolver competências, desfazer bloqueios e criar uma plataforma de desenvolvimento pessoal e profissional tendo como base os jogos e as técnicas de improviso", o que vai de encontro a muitas das competências que tenho desenvolvido ao longo dos anos. Inscrevi-me no workshop sem criar expectativas, mas com uma ideia muito positiva não só do projeto, mas também do próprio desenvolvimento do dia. Tive o prazer de conhecer duas pessoas muito empreendedoras, a Ana Pracaschandra e o Telmo Ramalho, e passar o dia com um grupo que se revelou muito especial pelas pessoas que ali se reuniram. Foi um dia passado na Fábrica Braço de Prata a conhecermo-nos melhor a nós mesmos e em como interagimos com os outros. Posso dizer que chegado o final do dia, por volta das 17h, tive pena que tivesse acabado, pelas pessoas que ali se conheceram, pelos exercícios lúdicos desenvolvidos que despertaram um pouco mais da consciência que tenho de mim mesma, e por toda a energia que ali se partilhou e se desenvolveu em laços e amizades novas. Nada acontece por acaso.

Os fins-de-semana foram bem ocupados e aproveitados para novos projetos, enquanto durante a semana me organizava, com muitas peripécias à mistura, para um mês de maio praticamente fora de Lisboa e do país.

Nunca dei muita importância à Páscoa, principalmente desde que saí de casa dos meus pais (aos 18). Cresci num ambiente católico, família católica que me incutiu os hábitos desta religião, e que, por respeito, fiz por os cumpri até ter vontade própria. Claro que continua a ser um momento de família, mas não como a minha mãe gostaria, com direito a domingo de ramos e via sacra. Há cerca de 9 meses que não ia a Mirandela e com o caos que se tinha instalado para conseguir gerir as coisas para o mês de maio, em que estaria ausente do país, a perspetiva de ir a Mirandela era nula. Por isso, dia 19, pela primeira vez, os meus pais vieram a Lisboa e passaram a Páscoa fora das tradições a que estão habituados. Foi um fim-de-semana de passeio em que tive a oportunidade de ser a anfitriã deles para variar. E com a partida deles, por me ir ausentar do país, a minha companhia do dia-a-dia (a Tuka) teve de ir com eles, o que somou ao vazio de “não presença” um peso que só compreende quem os tem – é como ter um filho, dói cada vez que nos temos de ausentar e quando eles se ausentam, seja porque razão for.


O 25 de Abril foi passado a trabalhar, por isso as celebrações só começaram um pouco mais tarde, já no ponto de encontro para mais um dos meus jantares apelidados de míticos, com uma ginginha e um cravo vermelho. Estes jantares começaram a acontecer muito espontaneamente pela necessidade que eu tinha de compensar a minha precária presença na vida dos meus amigos, e também como uma desculpa para poder juntar amigos de diferentes contextos e irmos jantar a um sítio que a maioria ainda não tenha experimentado. Desta vez foi a Hamburgaria do Bairro e o Cone à Portuguesa no Príncipe Real. Fiquei bem impressionada com ambos. No primeiro o pessoal é bem disposto e simpático, o espaço é pequeno o que implica que haja algum tempo de espera (até porque não aceitam reservas), mas vale a pena pela qualidade: a carne é saborosa e recomendo que experimentem as batatas doces fritas que são divinais. No Cone à Portuguesa é mandarem-se à aventura e experimentarem, o pessoal é pitoresco e podem encontrar a bem disposta da senhora a quem o estabelecimento pertence à frente do forno. Não percam a oportunidade de tirar dois dedos de conversa com ela.



Entretanto algures na semana anterior tinha-me inscrito, a desafio da Ana dos Ludodependentes, num evento no Fundação Champalimaud: Dancing in the Brain - um projeto de investigação científica  interessantíssima que comprova que dançar reduz o stress e combate os efeitos negativos do dia-a-dia.  Tivemos nos workshops de Danças Europeias de manhã e à tarde optamos pelo Tango Argentino e a Capoeira. Em termos físicos acabou por ser mais exigente do que eu esperava, mas o dia terminou de alma cheia e ficou a promessa de começarmos a frequentar a Fábrica Braço de Prata ás quartas à noite, onde acontece um TradBall, ou um baile de música tradicional europeia.
Foi exatamente lá que terminei o meu mês de abril e entrei de férias, e não podia ter terminado e iniciado algo de melhor maneira. O ambiente que ali se vive é completamente à parte. Os mais assíduos ensinam quem desconhece os passos e integram toda a gente em danças coreografadas há séculos, sem qualquer discriminação e sob o olhar atento do dono da Fábrica. Músicas e danças cheias de história, numa mistura de pessoas que já se conhecem com outras completamente desconhecidas, mas todos com um único propósito: dançar.  À medida que fui perdendo o constrangimento de “não estar ensinada para aquelas andanças” e fiquei á vontade com os meus muito possíveis erros e tropeços, o que veio ao de cima foi a força de vontade de aprender, e quando me dei conta já estava a fluir na mesma energia, no mesmo ritmo e a descobrir que afinal até tenho jeito para dançar. Rodopiei, dei três passos, e troquei de lugar para o meu par me rodopiar outra vez e eu ir formar outro par. E nos braços de um estranho deslizei pela sala ao som de uma música escocesa que nunca tinha ouvido, a um tri-compasso que desconhecia. Já só ouvia o som e sentia o compasso a pulsar-me nas veias ao ponto de ter aprendido rapidamente aqueles passos e o meu par me desafiar.






Mais acima afirmei que nada acontece por acaso, adiciono agora que as pessoas não se cruzam em determinadas alturas por um simples acaso ou coincidência. Lembro-me muitas vezes da entrevista que a Raquel Caldevilla me fez um dia, onde me perguntou quem tinha sido a minha inspiração, a minha influência para explorar tantos âmbitos artísticos e valências ao longo dos anos. Recordo esta pergunta, porque foi a primeira vez que tomei consciência que de facto não tinha sido ninguém a impulsionar-me a nível familiar ou mais próximo, tinha sido eu mesma, ao longo dos anos, a acercar-me de pessoas que me adicionavam, que me inspiravam e desafiavam a ser mais e melhor, a explorar a minha criatividade, numa necessidade muito minha e pessoal. E isso ainda não mudou. 

continua



2 comentários:

  1. Venham mais meses transitórios com muita diversidade, muita alegria e viagens!

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