HOME                    À CONVERSA COM                  O LIVRO                  AO QUILÓMETRO TAL                 ARQUIVO                 

Cartas de Amor - Uma Carta a Mim Mesma!







Lisboa, 21 de janeiro de 2014


Uma carta a mim mesma.
Escrever uma carta a alguém tem caído cada vez mais em desuso, com papel e caneta então é uma espécie em vias de extinção. Quando propus este desafio a mim mesma, e a quem me lê, não previ a dificuldade, mas valeu a pena - e este eu sei que é sentimento que partilho com quem aqui foi partilhando as suas cartas.

Hoje pego em papel e caneta, sem medos, para te escrever a ti. Tenho tanto para te dizer e, apesar de saber que palavras nunca foram o suficiente para te abordar sentimentalmente, arrisco contrariar-te para poder, resumidamente, eternizar em papel o que tanto tempo demorei a admitir: amo-te. Aprendi a amar-te e agora adoro-te todos os dias com tempo.
Bem sei que o papel é destrutível, e tudo o que aqui escrever se pode esfumaçar em cinzas ou despedaçar-se em pedaços, no entanto estas palavras não as ouviste de ninguém, estas escreveste-as tu a ti mesma.
Adoro-te com tempo. Com tempo para apreciar cada amargura e candura que te tem acompanhado; para aprender mais sobre ti a cada dia sem pressa, e aprender cada defeito e anomalia que a vida te vincou. És a tua maior crítica, é-te difícil aceitar elogios, e preservas por trás de um ludibrioso mau feitio a tua verdadeira força e ao mesmo tempo fragilidade: a tua essência. Nunca escolhes o caminho mais fácil, mas todos os dias continuas a dar o teu melhor, apesar de cada crítica, falha e sofrimento. Não te deixas prender pelo teu passado e cada dia é mais uma oportunidade para tentares ser melhor, mesmo que por vezes te percas no marasmo entre o seres mais e o seres só suficiente. Tens uma capacidade imensa de amar, de dares completo e sentido, mesmo que por vezes pareças desligada e distante. És feliz. Somos felizes juntas.
Podia deambular eternamente por estas linhas aglomeradas em palavras e perder-me nelas, como em ruas apinhadas de gente, mas por mais romantismos que escreva, a verdade é que a amplitude do que sinto por ti é indescritível. Só queria que soubesses que foi e tem sido importante aprender a amar-te, preservar-te na tua essência e aceitar as tuas transformações ao longo dos anos.

Quero somente acrescentar que quero continuar a acompanhar-te enquanto conheces o melhor que ainda podes ser. Continua a mudar, porque assim vamos continuar a mudar a nossa vida. Nunca deixes de sonhar.

Com amor,
Ana Morais




4 comentários:

  1. Adorei a tua carta querida :) está tão bonita :) ** e obrigada por este desafio!

    ResponderEliminar
  2. É bom ver que tu te vês a ti mesma. Sem rodeios, sem medos infundados, sem problemas em assumires aquilo que és verdadeiramente. E nem imaginas o orgulho que tenho em ti.*

    ResponderEliminar
  3. Obrigada Ju* Obrigada por teres partilhado a tua carta e teres participado do desafio <3

    ResponderEliminar
  4. Vejo com algumas dificuldades, demorou chegar aqui, mas os medos existem, são o peso da responsabilidade.
    Obrigada minha querida Raquel, cruzar-me contigo nesta vida também tem sido um prazer e uma alegria imensa. Obrigada de coração.

    ResponderEliminar