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tu! amor da minha vida





"...e depois acontece aquele inesperado momento, sente-se a respiração demasiado próxima e não se consegue proferir nem mais uma palavra. Sentem-se lábios em terra inóspita. Terra esta que reage em passada larga rua abaixo. Esqueci-me do que estava a falar..."
Comecei por escrever um texto completamente diferente. O facto de o estar a designar como texto demonstra o quão erróneo seria se o terminasse. A verdade é que nunca apreciei novelas, nem na televisão, nem na minha vida, e certamente não será deste género que a minha escrita se irá mascarar agora.
Todos nós procuramos amor na vida. O amor rege as nossas vidas por mais que isso não me seja fácil de admitir.
Há muito tempo que não tinha um bloqueio tão prolongado como o que me tem silenciado nos últimos meses. Tenho vários assuntos que adio em escrever, não menos importantes, mas na verdade tenho adiado o mais fácil para ganhar coragem e escrever o que realmente me descompõe e me constrange: o amor.
Muita gente me pergunta como consigo fazer tantas coisas e “meter-me” em tantos projetos. Sei que me falam na perspectiva do quanto isso me consome tempo e eu continuo a explicar que só quero conhecer as capacidades do que me foi permitido ser: pessoa. Foi-me dado o tempo e a oportunidade para isso. Mas esta pessoa (espantem-se!), para além de “fazer muitas coisas”, também ama, também sofre, também chora. Porque para conhecer as capacidades é também preciso conhecer os limites. E ao longo destes 27 anos, se alguma das minhas capacidades aprendi ser ilimitada, é exatamente esta: amar!
Já chorei por alguns amores perdidos, mas hoje em dia se há algo que realmente me emociona só de pensar são as saudades de ti…
A vida habituou-me a desprender-me de tudo e de todos, ensinou-me duramente que o apegar-me demasiado vai-me sempre trazer um “demasiado sofrer”. Até finalmente aprender a viver longe, separada e “sem”.
No dia que anunciaram que chegarias soube logo que serias tu. Desejava-te há tanto tempo e antes de realmente chegares, a vida quase te tirou de mim, para no final das contas só me mandar para longe. Mas nem isso nos separa.
Já nos conhecemos há quase quatro anos e em momento algum tivemos de fazer algo intencional para provarmos ou para sabermos que realmente nos amamos. Estou longe, mas ambas sabemos que ganhamos uma amiga para a vida e para o que der e vier: um amor para toda a vida.
Praticamente sempre que telefono nunca queres falar. Eu não fico triste porque sei que quando realmente queres vou ouvir coisas como as que ouvi hoje:
“(…)
- Tia?!
- Sim piquena, diz.
- Amo-te muito, mas assim mesmo muitoooooooooooo. Minha tiazinha linda do meu coração. (barulho de beijinhos dados no telemóvel)
Em silêncio engulo as lágrimas, só para te conseguir dizer – eu também minha sobrinha fiteira linda...eu também!; e para te ouvir rematar logo de seguida a rir: - eu sei!”





8 comentários:


  1. Acredites ou não, caíram lágrimas no meu rosto. Mas nao foram de tristeza... Porque isto é AMOR.
    E Felizes os que amam e são amados assim... Beijo para as duas.

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    1. Obrigada :)
      Mesmo em anónimo se dizem coisas bonitas!
      Fico muito feliz que consiga chegar ao coração das pessoas com a minha sinceridade e um conjunto de palavras escritas.
      Obrigada por me ler :)

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    1. Obrigada Papion pelo apoio e pela continuidade me me leres ^_^
      beijinhos

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  3. Chorei, pois também eu engulo as lágrimas em silêncio por alguém que me está longe....belas palavras tens aqui uma vez mais.

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    1. <3 obrigada por leres e por, comigo, sentires que estás viva e tens sentimentos bonitos por alguém (perto ou longe)
      beijinhos grande ^_^

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  4. Depois de ler o teu texto apeteceu-me também escrever um pouco sobre o mesmo, sobre a segurança que amar oferece e finalmente sobre uma possível forma incondicional de amar.
    Bem, em primeiro lugar não vale a pena darmos-lhe um significado nem o contextualizar. Tiramos-lhe toda a ideia temporal, personagens e cenários. Amar é uma ligação, um laço, uma corrente física e espiritual.

    Voltando ao teu texto reparei como adoras a tua sobrinha e como ela chega rapidamente ao teu coração. É do teu sangue, é família. Aqui o amor não pode falhar, e quando falha o sofrimento toma conta de muitas situações. Mas não é o caso. É bom sentir assim amor vindo de uma criança, é puro. É bom que só isso te deixe com algumas lágrimas no rosto. São lágrimas de amor e saudade? Acertei?
    É tão saudável amar dessa forma, mas deixa-me dizer com toda a certeza que há outras confortáveis e possíveis, verdadeiras e eternas.
    O tempo com a sua mestria vai-se encarregando de juntar as pessoas, de as ligar, oferecendo-lhes histórias bem diferentes da trivialidade de outras. Admito que acredito muito nisso.
    Passamos então à parte onde consegues transmitir e muito bem que és uma pessoa muito comprometida com as palavras e dedicada ao trabalho. Amar é isto mesmo. Faz parte do teu compromisso. Amar com dedicação deveria ser a única forma incondicional existente.

    Certa altura uma pessoa bem idosa disse-me que não esquecer é bem mais importante que relembrar. Eu consigo ver muitas diferenças e tu?
    Aposto que amas muito Lisboa. Amar uma cidade para mim nunca foi fácil, mas já amei muitas!
    É claro que acredito que ames, que sofras e chores! És um ser humano, és real. Amar exige dedicação e eu sei que tu és dedicada.
    Gostei do teu blog. É sincero e comprometido.

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    1. Olá :)
      Tenho pena que só agora me tenha dado conta deste fantástico comentário, mas espero ainda vir a tempo para te retribuir.
      Respondendo às tuas perguntas, sim, as lágrimas são de saudade, mas também são de, naquele instante, me ter apercebido que apesar de estar longe eu posso usufruir deste amor tão puro que este pequeno ser humano tem por mim!
      Amar Lisboa foi um processo. Gosto de Lisboa e aprendi o que de melhor me pode trazer.
      Obrigada pelas tuas palavras, fico contente que gostes do meu blog, espero ter-te por esse lado mais vezes e que, para a próxima, não passe tanto tempo até eu ver e responder. Um beijinho anónimo! *

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