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Capitão Coração!



foto por João Almeida | modelo e design Ana Morais


Por momentos esqueci-me. Esqueci que cada letra é uma extensão de mim. Esqueci o que é escrever sobre “o mais”. Por momentos esqueci-me de escrever!
Não é fácil escrever sobre mim - fico sujeita à minha própria narrativa que, tal como eu, se expõe assim à interpretação alheia tão inconstante. Mas hoje, sem medos, me escrevo.


Para escrever este texto, tal como qualquer um dos outros (mas em particular este), tive de procurar o sentimento correto para as palavras transitarem com bom senso nestas linhas que se preenchem. Larguei-me nele e fui maruja de um capitão coração.

Ainda há pouco tempo admiti em voz alta, com os olhos marejados de lágrimas, o quanto me entristece reconhecer os que não me conseguem ver. Não me chateia, não me magoa. Fico triste. Verdade que não me mostro, nem facilmente, nem a toda a gente, mas o que mostro, por mais singelo que seja, é de coração. Não faço porque fica bem, não faço só para agradar. Faço porque sinto que estou a ser sincera comigo mesma, com os meus princípios, e acima de tudo coerente com a minha consciência.
Não falo oco.
Não sinto vazio.
E digo muito em ações.
Entre muitos defeitos, isto é coisa que posso afirmar com orgulho: produto de factores interiores e exteriores a mim mesma, que fui colecionando em 27 humildes anos, para encontrar alguma serenidade no mundo que me foi rodeando. Assim me dispo.
Chorei de tristeza não por mim. Chorei por quem de facto é cego e não pode ver, e estes tantos com vista que escolhem não a ter. Chorei de alegria por eu ainda não ter escolhido fechar as janelas da minha alma, de ainda conseguir vos ver e de ainda reconhecer em mim uma essência que me permite viver ao que proponho com a sinceridade de uma criança e a dedicação de um sábio.

Já me cruzei com muitas situações diferentes ao longo da vida, tal como todos nós, bem como com pessoas. Pessoas menos boas, pessoas que não se identificam, pessoas que ficam e pessoas extraordinárias que, mesmo de passagem, deixam a sua marca. E tal como pessoas, situações! A verdade é que é vivendo que aprendemos a filtrar o que realmente interessa valorizar. Eu aprendi a manusear o leme, simples e ignorante aprendi a velejar, todos os dias aprendo um pouco mais e vou-me aventurando por outras paisagens à medida que vou percorrendo as águas.  

Esqueci-me de propósito. Para tudo, não vale a pena forçar: um sentimento, uma ação, uma palavra, um riso... “soará somente como um tambor, que toca sem nada no seu interior.” Esta frase ouvia com 8 anos de idade, de alguém que ainda não era professora, ainda não era “mulher” d’Aquele que chamam Deus. De uma jovem que desenhava e dizia coisas tão bonitas como a cara de anjo que tinha. Nunca mais a esqueci, e ela não sabe. Às vezes precisamos de nos esquecer momentaneamente de umas coisas para podermos arrumar as novas. E depois já com o sentimento do conforto de uma casa bem arrumada, retomar o que (de propósito) nos esquecemos!

E esta força, que a cada dia que passa parece renovada, prevalece e se entranha... esta força tenho de a agradecer a muita gente: aos meus amigos que são a minha “gasolina”, á minha família que é o meu alicerce, ás pessoas que acreditam em mim, que dão um pouco de si para me fortalecer, que mesmo sem muito me dizerem já muito por mim fizeram! Se a alguém tenho de agradecer é a vocês! Pois é por vossa graça que posso dizer: sou uma mulher muito feliz!
Obrigada. 


"...it takes an ocean not to break!"

3 comentários:

  1. É bom ler estas tuas palavras. Pega no leme, veleja ao sabor do vento... ou será ao sabor do destino. Há quem diga que nada acontece por acaso, até nas piores situações quando duvidamos de tudo à nossa volta.
    Essa força é toda tua e as pessoas que a reconhecem acabam contagiadas por ela, como os raios de sol num dia de Primavera... que infelizmente são cada vez mais raros.
    Um dia ofereço-te um chapéu de capitã, tu mereces isso e muito mais!

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    1. és uma das que tem permanecido! Quando me trouxeres o chapéu, traz outro pra ti! Gosto de ter companhia para velejar este barco ;)
      beijos amiga luv ya

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    2. Obrigada amiga! Vamos velejar juntas em direcção ao sol poente ;) A vida é uma aventura cheia de imprevistos, pedras nos sapatos, lágrimas e sorrisos.
      Outro beijo gigante!

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