HOME                    À CONVERSA COM                  O LIVRO                  AO QUILÓMETRO TAL                 ARQUIVO                 

"Este não foi o Nosso Primeiro Encontro!"



A cidade natal é o local onde eu nasci e passei a minha infância. Onde trabalho e vivo é o local onde estou agora. Mas também já vivi, estudei e trabalhei aqui e ali. Falo deambulando alegremente sobre o assunto, o que me dá aquele ar aparente de espírito desligado. Sou interrompida com uma pergunta pertinente: “Sim, mas... onde é que sentes que pertences?” Fiquei perplexa com a prepotência e a complexidade da pergunta em conversa tão superficial e por mim desvalorizada. Para pergunta prepotente, resposta genérica e sem conteúdo: “Pertenço ao mundo!”. 
Mas, de mim para mim, “Onde é que eu pertenço?” – pensei, e deixei em suspenso.
Este não foi o “nosso primeiro encontro”. Juntou-se o suspenso ao suspenso. O raciocínio leva-me a pensar que estagnei nesta sensação permanente de “passagem” (permitam-me o contra-senso) temperada com intensidade e transitoriedade q.b. Pelo menos é fiel a esta linha de pensamento que tenho vivido.  Considero que a pertença não é apenas o ser parte de, mas sim ser parte ativa. Está relacionada a uma ideia de enraizamento, uma realidade estrutural que nos incumbe de identificar, estabilizar e assegurar a nossa personalidade. Mas, contrapondo, porque é que temos de pertencer a lado algum ou a coisa alguma para nos “personalizarmos”?
Cada um aceita-se e enquadra-se mais ou menos inconscientemente, conforme um sem número de contextos que nos foram impostos e que condicionam os nossos comportamentos sociais. Uma das tendências do individuo é a nítida persistência em resgatar elementos de origem, procurar o enquandramento em determinado grupo social mecanismos estes de procura de um sentido de pertença. Eu não sou exceção à regra, suponho.
Mas se nunca soube identificar o sítio onde pertenço, a razão poderá residir no facto de eu querer pertencer a mim própria, no sentido mais completo e lato que me for permitido. E quando eu falto a mim mesma, onde me refugio? Naqueles que me apoiam, nos que me amam incondicionalmente.
Por isso, respondendo a esta pergunta suspensa há tempo demais, eu acredito que pertenço a mim mesma e aos “meus”. Seja onde esse lugar for.

5 comentários:

  1. Uma coisa é certa, as oportunidades podem ser únicas... Depende de ti aproveita-las.

    Sabes bem qual é o teu lugar, acho que não terás grandes dúvidas da próxima vez =D

    ResponderEliminar
  2. <3
    Não te vou pedir para que venhas para junto de nós, porque neste caso o lugar é apenas um adereço. Estás sempre connosco*

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Gostava tanto de poder estar aí… vou deixando pedaços de mim aqui e ali, e trago um pouquinho de vocês comigo também, mas fica sempre a saudade do abraço ^_^ beijinhos

      Eliminar
  3. Neste caso pertences a Dublin também, mesmo que estejas a uns bons Km de distância. Estás cá!

    ResponderEliminar