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"À Conversa com..." #4


Já referenciei várias vezes este projeto inspirador, com o qual me identifiquei instantaneamente e que, por essa razão, um dos seus cadernos foi instrumento para lançar o meu próprio projeto: o 365 LOVE | UM DIA UMA FOTOGRAFIA&PALAVRA. Por isto e por me terem apoiado, divulgando e partilhando a minha história, seria impensável não incluir na rubrica “À Conversa com…” este trio de mulheres empreendedoras, que usaram os seus ofícios para criar uma plataforma que dá a conhecer e incentiva a reavivar tantas histórias humanas: o Projeto Lifestories.

Ana Morais: Quando surge a ideia e como se juntam para a criação deste projeto?
Lifestories: O trio da Lifestories começou a surgir há já algum tempo, quando a Maria João Marques, eterna apaixonada pelas histórias de vida, socióloga e investigadora, registou a marca em 2008. A Isabel Saldanha, pela sua vertente plástica e estética, com a componente da fotografia e da imagem, foi a peça seguinte; e, como não há duas sem três, a última aquisição foi a Rita Saldanha, que veio reforçar o gosto partilhado pelas histórias de vida, além da paixão pela escrita.
                                              
AM: Como é que a Lifestories “vê” estas vidas que conta?
LS: Para a Lifestories, não há histórias de vida "superiores" ou melhores do que outras. Num momento em que tudo é tão efémero e volátil, a nossa história de vida é aquilo que nunca nos poderá ser retirado. É o nosso legado, o resultado de um percurso, e que em todas as situações é interessante, rico e único. Não existem duas histórias iguais! O nosso objectivo seria idealmente que todos resgatassem a sua história, que a deixassem escrita, fotografada, filmada, registada em qualquer suporte, mas que não a perdessem.

AM: Ou seja, têm vários formatos para a vossa "recolha de histórias". Que projetos estão a desenvolver neste momento?
LS: O formato livro/ biografia é sem dúvida o mais comum, mas há tantas outras formas de se contar uma história. Com receitas de cozinha, com fotos, com músicas… neste momento, a Lifestories tem dois projectos completamente distintos, com o mesmo fim, o de contar uma história: um é a produção de um livro que conte a história de vida de um Engenheiro com 90 anos totalmente dedicada à construção de Barragens; o outro é um namoro com 10 anos em que um dos elementos do casal quer surpreender o outro com um pedido de casamento em formato de história de vida a dois!

AM: Onde está sediado e com  que intuito as pessoas vos podem contatar?
LS: Estamos sediados na Pensão Amor. Muitas pessoas abordam-nos com uma primeira ideia que têm e depois discutimos muito em conjunto, não existe uma tabela de serviços/ preços. São projectos completamente únicos e feitos à medida de cada pessoa / história. O elo em comum entre todos é que no fundo há sempre uma história para contar: um casamento, uma viagem, um namoro, um momento da vida,...

AM: Para incentivarem as pessoas a escrever a sua própria história, lançaram também duas linhagens de cadernos em edições limitadas: os cadernos “Um Dia” (uma Palavra ou um Desenho) e agora mais recentemente os “It Takes 2” que celebram as histórias de amor.
LS: Para além do incentivo geral inerente, o que vamos fazer quando terminar a tiragem dos cadernos "Um dia", que neste momento está nos últimos 100 exemplares, é que, por cada 100 vendidos, vamos resgatar uma história de vida de uma pessoa comum, mas que tem dedicado a sua vida aos outros. Este “resgate” ocorrerá no “nosso” Bairro do Amor (Cais do Sodré), onde fazemos as nossas pesquisas e o nosso trabalho de campo. O Centro de Dia de São Paulo da junta de freguesia é também uma das nossas fontes de histórias de vida, por isso será uma seleção bastante natural da história a contar.

AM: Aspirações para o futuro...?
LS: Como sabemos que as histórias de vida não irão terminar nunca, ao contrário do petróleo ;), não somos assim tão ambiciosas. Queremos só mesmo continuar a fazer aquilo de que mais gostamos, a retirar prazer nisso e a fazer os outros um pouco mais felizes. Pode parecer piroso, mas é isso mesmo!

***entrevista cedida por email***
 Agradeço a disponibilidade e simpatia em facultarem esta entrevista para o meu blog. 
Muito sucesso para este projeto que “aplaudo de pé”!


Em Janeiro, foram também entrevistadas pela Rádio Renascença, onde revelaram mais sobre a vertente comunitária e explicaram que, recolhendo a informação porta a porta e tornando-se “intimas” de salas e de chás com bolinhos, vão resgatando as histórias dos habitantes do Cais do Sodré. Esta é uma das zonas de Lisboa que, considerando que serviu, por exemplo, de "porto de abrigo" a marinheiros de grandes navios internacionais à procura de mantimentos e diversão, tem muitas histórias para contar por metro quadrado. 

fonte


Mais sobre estas mulheres fantásticas dos 7 Ofícios?
“(…) Maria, 35 anos, socióloga, trabalha há mais de dez anos na área da cooperação e desenvolvimento. Depois da passagem pelo Diário Económico como jornalista, em 1999, passou pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e pela Comissão Europeia e geriu o segundo e o terceiro programas de reconstrução do Afeganistão e a descentralização para Cabul. O regresso a Portugal trouxe-lhe o trabalho na Fundação Aga Khan na avaliação do impacto dos programas sociais nos bairros, sobretudo através de abordagens biográficas que permitem perceber se a vida das pessoas foi realmente alterada.
Foi na Alta de Lisboa, no terreno, que Maria conheceu Isabel Saldanha, 33 anos, no meio de um programa de realojamento em que a fotógrafa também trabalhava. Isabel divide os dias entre a Câmara Municipal de Lisboa, o trabalho como fotógrafa profissional e o voluntariado em Alfama, bairro onde vive. Passou pela Deloitte, esteve no Governo Civil de Lisboa como adjunta de Teresa Caeiro e trabalhou com Maria José Nogueira Pinto no governo, na criação de unidades de reabilitação urbana. Entretanto, o gosto pela escrita e a necessidade de conciliar a vertente artística e cultural com a maternidade - tem duas filhas, de 6 e 3 anos - fê-la começar a fotografar. (…)” - Fonte 


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