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Uma Janela!

by Ana Morais | cargocollective.com/anamorais


Ultimamente percebi o porquê de adorar andar de transportes sozinha. Autocarro, metro, comboio, avião. Escolho a minha própria banda sonora e usufruo de tudo o que me rodeia. Acho que é a própria sensação de movimento, de me estar a dirigir a algum lado e ter o poder de decisão de que direção seguir e em que estação sair.

Vejo cada estação e cada caminho como uma oportunidade. De me cruzar com alguém que conheço, de ver uma criança fazer-me uma careta, de ouvir a coisa mais hilariante dos meus vizinhos do lado e ter de me encolher toda para não desatar em gargalhada. De ver alguém abraçar-se com saudade, de presenciar a lágrima de alguém que vai ter saudade. Oportunidade de ouvir um estranho esbaforir ao telefone, de ser atropelada por uma senhora de idade espaçosa, ou mesmo de chocar contra o único senhor invisual naquele sítio. Oportunidade de um estranho nos sorrir porque está a ler o mesmo livro que nós. Oportunidade de encontrar alguém ao sair da estação que nos traz uma boa nova, e que também saiu de casa só para nos dizer isso. E nós saímos de casa para o ouvir.
Podermos ter oportunidade de pararmos para verdadeiramente verbalizar o que nos inspira, o que nos faz mover. E aí percebemos que há momentos na vida que devem ser aproveitados para evitar qualquer lamento futuro.

Ter oportunidades tem um custo, mas também nos leva ao ganho nem que seja em aprender a ter poder de decisão perante várias opções. O custo é quase sempre o investimento. Investimento de tempo, de recursos, de prescindir de certas coisas em prol de outras. Mas é uma oportunidade. Saímos de casa para a receber!
É o tão corriqueiro ditado “fecha-se uma porta, abre-se uma janela”, não é? Mas nós caminhamos em direção a essa janela e abrimo-la, respiramos o seu ar fresco e ficamos ali com as portadas na mão a decidir se saltamos lá para dentro/fora ou se voltamos a fechar as portadas, para ver o que encontramos na próxima. Mas tudo também depende da nossa disponibilidade e vontade. De sairmos de casa, de apanharmos o transporte, de ouvirmos, de darmos oportunidade aos outros de também expressarem o que os inspira, o que os move. Ou seja, darmos oportunidades aos outros, traz-nos a nós mesmos novas oportunidades. Nem que para isso tenhamos de ser injuriados porque pelo caminho, sem querer, chocamos contra a única pessoa invisual na estação do metro!



2 comentários:

  1. E ainda bem que assim é... Cada canto é uma descoberta, cada janela uma vista diferente e cada dia um olhar novo =)

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    1. Que tédio seria de outra maneira! Mesmo que invisuais...a vida tem tantas coisas para colorir os nossos sentidos! :D nem que seja o choque contra outra pessoa ahahahaha

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