HOME                    À CONVERSA COM                  O LIVRO                  AO QUILÓMETRO TAL                 ARQUIVO                 

“Quanto Mais Alto, Maior o Tombo!”



Ontem deparei-me com uma questão que considero pertinente. Perante a minha prateleira de livros, com a opção de leitura ainda vasta, fiz-me a seguinte pergunta: No que nos baseamos para escolher o próximo livro a ler? A resposta a esta levou-me a recordar como nessa mesma tarde, uma conversa iniciada por um assunto tão simples como “escolher uma peça de roupa” se elaborou de tal modo que me leva agora a escrever este texto.

Para optarmos por algo na nossa vida, por mais simples ou complexa que seja, baseamo-nos sempre nas viabilidades ou probabilidades que perspectivamos. Escolhemos pelo que nos parece expectável, porque não detemos a certeza do que o futuro nos reserva por aquele caminho, mas dedicamos alguma esperança nos pressupostos que nos levam àquela decisão. A nossa expectativa em algo ou em alguém e até de nós mesmos, delimita e estipula em tudo a nossa vida e principalmente “o peso” da repercussão que esse ato/opção tem em nós e nos outros. Tanto pode simplificar o complexo, como pode exponenciar a complexidade. Depende a que nível as colocamos. Se escolhemos um livro com a expectativa (alta) de que será uma obra inesquecível, que nos envolverá numa leitura desenfreada, ansiosos por chegar ao fim para saber toda a história, poderemos ter um dos dois desfechos: ou a nossa expectativa exponenciou a experiência daquele livro e é acima de satisfatório; ou transforma-se em desilusão, e o mais provável é deixarmos aquela página marcada durante muito tempo e a leitura em standby ou arrumarmos o livro ainda no primeiro capítulo. Ambas são consequências inerentes à opção do expectante. O truque, penso eu, está em desenvolvermos a capacidade de adaptar os nossos níveis de expectativa à realidade dos sujeitos. Aceitarmos que as coisas ou pessoas não foram criadas somente para os nossos pressupostos, estes no entanto podem ser moldados e nivelados para um controlo das consequências. Neste aspecto é um controlo de motivação própria, referente ás expectativas criadas somente pela nossa observação e constatação. Não devemos é esquecer que também os outros têm a mesma liberdade e controlo (ou não). Mas o mesmo se aplica. Não é como se estava à espera? Espera menos! Ou mesmo nada! Também há quem saiba tirar proveito das expectativas de outrem...e se já aconteceu convosco no fundo sabem que foi porque o permitiram. Perde-se o controle, quer-se exceder o nível e no final a verdade e passando o ditado “Quanto mais alto, maior o tombo!”. Não há culpa, nem culpados. Somos humanos, é só isso. O nosso ADN é a complexidade.

É óbvio que não existe nenhuma fórmula mágica para evitar desilusões ao longo da vida, nem me julgo eu pessoa de tão iluminada mente para instruir ninguém a viver, quando ainda eu me estou a formar neste curso de (espero eu!) longa duração. Então em vez de criar expectativas sobre o livro, preferi pegar num sem expectativa nenhuma além de o ler e apreciar o ato da minha leitura.



Já agora, escolhi o Cemitério de Praga de Umberto Eco.


[003/365]

PROJETO 365 LOVE
UM DIA | UMA PALAVRA & UMA FOTOGRAFIA
Uma palavra será escrita num caderno edição limitada que comprei em apoio ao projeto LifeStories.
Uma fotografia vou pôr na minha página profissional de fotografia semanalmente (tiradas ou com iphone ou máquina) e no Instagram todos os dias.

3 comentários:

  1. Tal como se diz/escreve 'Herrar é Umano'

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Claro que sim! ahah mas depende se o "Umano" aprende ou não com os "Herros" e de quantas vezes precisam de "Herrar" para aprender! :P

      Eliminar
  2. Ora aí está um gesto que deveria ter em conta para escolher o próximo livro a ler, sem expectativa alguma. Apenas sentar-me a ler e desfrutar de cada página.
    ;)

    ResponderEliminar