HOME                    À CONVERSA COM                  O LIVRO                  AO QUILÓMETRO TAL                 ARQUIVO                 

Domingo. Meio-dia e o Tempo Nublado.



“Agora uma pergunta séria: O que sentes em relação a fazer surf?” Mas que raio de pergunta para se fazer à minha pessoa, pensei eu! Este é um ano de não adiar e há já alguns que tenho adiado fazer umas aulas deste desporto. Não é algo que não tivesse experimentado já, mas uma aula? Não podia perder esta oportunidade! Domingo. Meio-dia e o tempo nublado. Chegamos à Angels Surf School em Carcavelos e confesso que só pensava que ia passar um frio desgraçado. Vestir o fato foi a parte chata, pé descalço e isenção de sol, não posso dizer que foi agradável. O mar estava propício a quem está a aprender. Apesar de não ter ficado com a maior long board que havia na escola, calhou-me a mais pesada e digamos que se até nem me pareceu muito pesada quando a levei, ao voltar só maldizia daquele “bacalhau”. Aquecimento e introdução: Nose, Rail e Tail. Quilhas e Leash. Praticar o Take off  em terra e arrancar para o mar. A temperatura da água estava ótima e frio foi a última coisa que me ocorreu. Só queria acertar com o take off  e apanhar nem que fosse uma onda (ou neste caso a arrebentação dela, mas isso não interessa lol). A maré estava a vazar, e se quando chegamos o mar estava propício, já a meio da aula as correntes começaram a arrastar-nos na diagonal, as ondas a aumentarem de tamanho e a fecharem rápida e pesadamente. Não quis muito saber na verdade. Levei uma tareia de mar! Quando estamos lá dentro, não há mais nada que nos ocupe o pensamento. Haveria quem provavelmente perante aquele mar e sendo a primeira aula se teria retirado e desistido. Eu persisti. Estava impressionada com aquela visão e de fazer parte dela. Na minha cabeça repetia os passos que me tinham ensinado e concentrava-me somente nisso. Os monitores já me viam cansada e apesar de no inicio eles ajudarem com o equilíbrio da prancha para sentirmos o take off , eu queria tentar tudo sozinha: take off e equilíbrio. Chamaram-me má, mas lá me deixaram tentar. De cada vez que apanhava uma onda tinha de andar contra a corrente ou sair pela praia e voltar a entrar. E às vezes na vida é exactamente isso que temos de fazer..sair de nós mesmos para ajudar a simplificar. Para aprender é preciso falharmos, cairmos à água muitas vezes. Ás vezes já perto da praia, outras vezes ainda a meio de nos pormos de pé na prancha. Depende sempre do que aprendemos em cada queda, se somos persistentes, destemidos, se identificamos a razão de termos caído para na próxima tentativa não ser a mesma. Caí por me tentar levantar rápido demais, depois por não ter olhado para a praia, depois por não ter adaptado o pé da frente ao lugar certo para o equilíbrio. Mas aquela sensação de acertar com o take off , olhar para a praia, ganhar confiança e adaptarmo-nos até não haver mais velocidade ou até cairmos, já ninguém ma tira, porque aconteceu! Olhei para os monitores, batiam palmas. “Mas que raio?! Isto não é nada…bora lá outra vez!”, pensei eu.
Hora e meia depois, estava cansada é verdade, mas sentia-me viva. Adoro o mar, com o devido respeito, e o gozo que aquela aula me deu fez-me ver que este era sem dúvida um dos desportos que eu devia continuar a praticar. Já não sentia isto desde que pratiquei Muay Thai, que também me trazia uma satisfação incrível. Não são desportos de todo comparáveis, mas depois de cada aula o resultado em mim é um “cansaço feliz”. Hoje o resultado é um corpo dorido, mas valeu a pena! Só tenho a agradecer a quem se lembrou de me lá levar e torcer para não se esquecer de mim para a próxima aula. :)


[006/365]
PROJETO 365 LOVE
UM DIA | UMA PALAVRA & UMA FOTOGRAFIA
Uma palavra será escrita num caderno edição limitada que comprei em apoio ao projeto LifeStories.
Uma fotografia vou pôr na minha página profissional de fotografia semanalmente (tiradas ou com iphone ou máquina) e no Instagram todos os dias.


1 comentário: