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"À Conversa com..." #2



Lembro-me de já ter escrito algures que o ato de ler é tão singelo que é esta simplicidade que lisonjeia qualquer autor. No passado domingo visitei, a trabalho, um local que privilegia esse ato singelo e não só. Livraria Ler Devagar no Lx Factory. Depois de uma tarde de trabalho e do (re)conhecimento do espaço, defino o mesmo como o que eu considero uma Ode à Cultura, cultivando em quem o frequenta um sentimento de bem estar e conforto no seio da mesma. Tendo iniciado a rubrica “À Conversa com…”, posso adiantar que a “Mulher dos 7 Ofícios” foi muito bem recebida, não só como blogger, mas também como fotógrafa. Nessa mesma tarde realizei uma sessão fotográfica que brevemente estará online com a vencedora do concurso “Giveaway Dezembro” na minha página profissional.
Sr José Pinho
Fundador 
A receptividade deste espaço a ações culturais é de louvar e tendo a oportunidade de conhecer o fundador, não resisti em convidar José Pinho a sentar-se à mesa connosco para uma conversa amena e informal sobre a história e o conceito do espaço. Eloquente e expressivo, José levou-me a percorrer 15 anos em 20 minutos, retrocedendo a uma outra mesa, numa outra época, acompanhados de cervejas e dos seus colegas do curso Técnicos Editoriais na Faculdade de Letras, de onde a ideia originalmente surgiu. Numa ação de “salvamento” aos livros que voltavam aos armazéns, foi aberta em pleno Bairro Alto uma livraria de fundos editoriais. Fundada pelo  entrevistado e na companhia de mais 20 sócios levaram o seu projeto ao encontro da própria necessidade cultural digna de bon vivants. “Se não vier para cá mais ninguém, vimos nós e os nossos amigos!” E assim criaram a Ler Devagar, que mais do que uma livraria, é também espaço para concertos, exposições, discoteca (venda de discos), café, o necessário ao conforto e reflectindo um pouco deles mesmos e do que procuravam num espaço de convívio. Quando tiveram de abdicar do espaço no Bairro Alto, estiveram na Culturgest, na Cinemateca, na Galeria Zé dos Bois e na Fábrica Braço de Prata quase simultaneamente, até se fixarem somente no Lx Factory: “Parecíamos um império livreiro. Perdíamos dinheiro em todo o lado, mas estávamos felizes!” Contam agora com 140 sócios que contribuem de algum modo para a sustentabilidade do espaço, que não se limita a ser uma livraria/biblioteca, como também dispõe de um bar no piso térreo, no andar superior têm um auditório/galeria, uma discoteca (venda de discos) e o Bolo da Marta, um balcão de confeitaria deliciosa. Em todo espaço é permitido fumar, conversar, conviver. Realizam vários eventos culturais, dando prioridade a lançamento de livros ou discos e a concertos associados aos mesmos. Esporadicamente e conforme agendamento têm conferências/Workshops, projeções de filmes, peças de teatro e exposições. Já fazem “parte da casa” a exposição de objectos cinemáticos de Pietro e os concertos de concertina, bem ao estilo francês nos domingos à tarde de Michel. Recentemente, tiveram “em cena” uma adaptação de um livro da autoria de Guimarães Rosa em monólogo por Jorge Listopad; e duas exposições de ilustração, uma de Parmê Biol e outro da autora do livro infantil Achimpa, Catarina Sobral. Eventos empresariais e comerciais também podem ser realizados neste espaço, e são os únicos que importam encargos ao requerente. Todos os outros dependem somente de agendamento. Tendo em consideração a subjectividade de qualquer apreciação artística, na Ler Devagar não fazem juízo de valor sobre a arte exposta, dando liberdade artística ao expositor.
Apesar da conjuntura atual do país, as vendas têm vindo a aumentar nos últimos dois anos, mesmo que os valores percentuais sejam baixos. “Nós não vamos à falência por uma única razão… quando nascemos já estávamos falidos!” Recentemente, foram considerados pela Flavorwire  como uma das vinte livrarias mais bonitas do mundo, e figuraram num top dez mundial das livrarias mais bonitas em edifícios recuperados, facto esse recebido com muito gosto pelo fundador e pelos sócios da Ler Devagar. No entanto, gostavam que houvesse também um ranking dedicado à diversidade de Títulos disponíveis para venda, pois acreditam que seja a livraria a nível nacional com a maior diversidade e em pequenas quantidades, sendo que muitos destes títulos são provavelmente já raros de encontrar. Fica a dica!
Para projetos futuros, têm já aprovado uma Vila Literária em Óbidos, constituída por 11 livrarias e com perspetiva de um festival literário, noticia esta que me deixou bastante expectante e com a qual me despedi do Sr. José Pinho, um empreendedor cultural exemplar com um espaço para mais de  7 Ofícios!

Recomendo a visita!


Obrigada à Ler Devagar e ao Sr. José Pinho pela amável recepção e desejos de muito sucesso!

Conversa completa aqui

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