HOME                    À CONVERSA COM                  O LIVRO                  AO QUILÓMETRO TAL                 ARQUIVO                 

Saudade...ah Saudade!



O meu domingo foi passado pacificamente em casa, na perspectiva das 5 da tarde! Já andava para reservar um espacinho para esta visita há algum tempo e não queria de todo deixar passar deste fim-de-semana. Reservei-lhe o final de Domingo. Á espera da Sophie, preparei-me para um verdadeiro chá das 5 e uma amena conversa certamente. Sintra era o destino. O final de tarde em Sintra sempre me agradou pela pacificidade das ruas: os turistas seguem para os seus hotéis e os habitantes recolhem-se a casa para preparar o jantar, ficamos só nós e aquela aura de tempo suspenso como que por magia, tão típica desta vila. Fomos com um objectivo certo e uma curiosidade voraz: conhecer o Café Saudade. Se fizerem uma rápida pesquisa no google apercebem-se o quanto este local é cada vez mais de eleição e as razões para tal, repetem-se e enriquecem-se a cada pessoa que por já lá passou. Mesmo depois de já ter lido várias descrições e ter visto imagens do local, não queria deixar de visitar. Já em Sintra, passa despercebido e só nos demos conta de estar no local certo porque reconhecemos a fachada com o lema Saudade -Vida&Arte- Amor! O próprio nome vem carregado de significado. Ao entrar, soava a banda sonora do filme A Vida é Bela e dei-me conta da exclusividade deste espaço: a bancada típica dos supermercados do tempo dos meus pais, as cadeiras de madeira, com detalhes típicos de outra era, os pequenos naprons rendados nas mesas de mármore, entre tantos outros pormenores. Queríamos ver tudo! Sentadas à mesa com o menu à nossa frente fomos descobrindo mais sobre a história deste local: o próprio menu a conta! Este espaço singular é resultado da remodelação das ruínas de uma das mais antigas fábricas de queijadas SAPA da vila, datada de 1889. Na remodelação mantiveram a estrutura inicial da fábrica o que nos transporta para outros tempos da nossa cultura e adicionaram pequenos apontamentos que nos “capturam” pela sua beleza na simplicidade, criando em quem por lá passa a sensação de familiaridade e conforto. De facto a nossa visita não era de todo apressada e ainda bem. Havia muito para apreciar. O interior dividido em várias salas, cada uma com valências diferentes, e no exterior dispõe de algumas mesas, tanto no pequeno alpendre na frente do edifício, como num confortável terraço interior. Fomos explorando cada sala enquanto esperávamos pelo nosso chá Campestre e scones XL com manteiga. O artesanato encontra-se patente em todas as salas e disponível para compra.
Quando chegaram os nossos scones sentamo-nos para apreciar o que tínhamos à mesa. Confesso que nunca tinha comido um scone tão delicioso: ainda vinha quentinho, a manteiga derretia-se facilmente e desfazia-se na boca. O chá num aroma muito suave e um travo doce, era composto por pedaços de maçã e pêssego, folhas de hortelã, casca de laranja, lavanda, raiz de valeriana, camomila romana e flores de malva azul…único! Os chás podem ser comprados também (tal como quase tudo o que produzem lá), vêm em pequenos saquinhos de papel amorosos e é uma tentação não levar um para casa. E para além das deliciosas iguarias sugeridas na carta (bolos caseiros, scones, queijadas, travesseiros, chás, etc), o Café Saudade assume-se também como um espaço cultural, pelas exposições patentes, mas também por disporem música ao vivo dentro do Jazz, música antiga e também fado. Pode ser que para a próxima consiga falar com os donos e através deles saber ainda mais sobre toda a envolvência deste espaço maravilhoso. No entanto ainda bem que já lá fui, primeiro porque viemos de lá a sentir que a vida é mesmo bela; e depois porque assim posso partilhar com vocês e aconselhar-vos a irem também à descoberta!


Sem comentários:

Enviar um comentário