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"Joana. Joana Teixeira!"

Não sei se a protagonista, dona do nome que se encontra no título deste post, realmente existe. Se é real, talvez a sua graça seja outra, talvez só tenha passado algumas de todas estas peripécias, mas a verdade é que "encarnei" nela e experienciei este relato na forma de leitura. Imagino o gosto que seria conhecer esta pessoa, e mesmo outras que aqui são mencionadas. Gostava de ouvir estas histórias na primeira pessoa, quanta honra seria conviver com pessoas portadoras de tanto carisma.
Tomei como minha uma data bem anterior ao meu nascimento. Tudo se iniciou exactamente 10 anos antes, em 1975 para ser mais precisa, após uma breve passagem por 1962, e em plena guerra colonial em África.
Entre Portugal e África vivi através dela esta época e tantas histórias de vida, ricas em ensinamentos que não se adquirem de ânimo leve , mas sim de almas grandificadas por dor convertida em força e coragem. O mais engraçado é que no início desta história ela mora onde eu gostava de morar hoje em dia em Lisboa e decide dedicar-se ao emprego que eu hoje em dia gostaria de ter e dedicar-me igualmente!
Demorei um fim de semana a ler e neste curto espaço de tempo passaram cerca de 30 anos. Ao longo "destes anos" dei por mim, ora a rir ás gargalhas e a sorrir; ora a chorar de tristeza e de solidariedade, ou a emocionar-me de alegria. E até ao final do livro deixei os meus olhos cravarem-se de água num misto de emoções que me encheram a alma e me arrepiaram o corpo todo. E apesar de nem de perto nem de longe ter conhecimento ou ter ficado a saber o que é/foi abandonar o país que se ajudou a evoluir através do trabalho e investimento, tanto financeiro como pessoal, em prol da sua "liberdade", foi assim que terminei a leitura do romance histórico "Retornados" de Júlio Magalhães: arrepiada! (editora: Esfera dos Livros) Este é sem dúvida o tipo de leitura que mais me envolve, pela veracidade dos factos ditada pela voz do povo e por toda a investigação de época que implica. Sinto que não estou a ler só um produto de imaginação. Sei que estou a vivênciar algo mais, que realmente aconteceu e a acrescentar a isso estou a "sorver" toda esta cultura de época! Júlio Magalhães estreou-se com este livro em 2008 na escrita de romances históricos , e apesar de este não ser um título recente e em voga, sou mulher para escrever sobre ele, na esperança de ressalvar o que merece ser dignamente relembrado. Depois deste estou curiosa sobre os outros do mesmo autor que lhe sucederam...A quem gosta deste género de leitura e ainda não leu: recomendo vivamente!

Autor     Júlio Magalhães
Publicação    2008
Editora    Esfera dos Livros

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