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O cantinho ideal!

Desde que vim morar para Lisboa, nunca me preocupei realmente em procurar casa. Nunca senti aquela necessidade de morada fixa, bastava-me um quarto, um cantinho para "me arrumar".
Em 3 anos que aqui moro, já mudei de casa umas quatro vezes, mas sempre através de conhecimentos e familiares, nunca tive de procurar. Neste último permaneço há já mais de um ano e não sinto uma necessidade extrema de lá sair. Tudo já me é familiar e acabei por encontrar ali um aconchego, que a 500km de casa agradece-se. No entanto também nunca fui mulher de me resignar e se o aconchego sabe bem, o espaço é coisa que eu sempre apreciei e dei por mim a começar  à procura de casa afincadamente.
A dificuldade de procurar casa em Lisboa, com preços acessíveis e com condições normais de habitação, sem termos de ser remetidos para um sítio onde ficaremos para sempre "isolados" ou que seja portador de um trauma de morada só de o mencionar, é de facto um desafio. Na minha incessante procura, dou-me conta de um T1 razoável, a um preço aceitável e negociável. Achei interessante e quis saber mais... No meio de outras informações fiquei também a saber que este T1 se situa na Rua do Rego em Entre(bordas)Campos! Pois. Tudo bem que se situa em Lisboa, mas convenhamos que morar na Rua do Rego nunca foi o melhor pretexto para mudar de casa, nem a melhor morada para dar aos amigos para o jantar de inauguração. Acho que os portugueses têm este problema generalizado...é uma questão de injustiça do código postal! Sim, porque quando nos perguntam onde moramos as pessoas não querem saber dos metros quadrados, nem da planta da casa. Só querem saber o nome da rua ou localidade em questão, e nalguns casos a resposta prevalece em mentira ou em referências por concelho ou distrito vizinho. "Tás a ver Sintra? É nos arredores!" Nunca tive problemas com isso mas realmente, numa conversa de acaso, dizer a pessoas que nos são completamente estranhas, que (por exemplo) nasceu em Ranholas, ou vem de Venda das Raparigas ou que mora na Rua do Rego, mata qualquer conversa!

"Joana. Joana Teixeira!"

Não sei se a protagonista, dona do nome que se encontra no título deste post, realmente existe. Se é real, talvez a sua graça seja outra, talvez só tenha passado algumas de todas estas peripécias, mas a verdade é que "encarnei" nela e experienciei este relato na forma de leitura. Imagino o gosto que seria conhecer esta pessoa, e mesmo outras que aqui são mencionadas. Gostava de ouvir estas histórias na primeira pessoa, quanta honra seria conviver com pessoas portadoras de tanto carisma.
Tomei como minha uma data bem anterior ao meu nascimento. Tudo se iniciou exactamente 10 anos antes, em 1975 para ser mais precisa, após uma breve passagem por 1962, e em plena guerra colonial em África.
Entre Portugal e África vivi através dela esta época e tantas histórias de vida, ricas em ensinamentos que não se adquirem de ânimo leve , mas sim de almas grandificadas por dor convertida em força e coragem. O mais engraçado é que no início desta história ela mora onde eu gostava de morar hoje em dia em Lisboa e decide dedicar-se ao emprego que eu hoje em dia gostaria de ter e dedicar-me igualmente!
Demorei um fim de semana a ler e neste curto espaço de tempo passaram cerca de 30 anos. Ao longo "destes anos" dei por mim, ora a rir ás gargalhas e a sorrir; ora a chorar de tristeza e de solidariedade, ou a emocionar-me de alegria. E até ao final do livro deixei os meus olhos cravarem-se de água num misto de emoções que me encheram a alma e me arrepiaram o corpo todo. E apesar de nem de perto nem de longe ter conhecimento ou ter ficado a saber o que é/foi abandonar o país que se ajudou a evoluir através do trabalho e investimento, tanto financeiro como pessoal, em prol da sua "liberdade", foi assim que terminei a leitura do romance histórico "Retornados" de Júlio Magalhães: arrepiada! (editora: Esfera dos Livros) Este é sem dúvida o tipo de leitura que mais me envolve, pela veracidade dos factos ditada pela voz do povo e por toda a investigação de época que implica. Sinto que não estou a ler só um produto de imaginação. Sei que estou a vivênciar algo mais, que realmente aconteceu e a acrescentar a isso estou a "sorver" toda esta cultura de época! Júlio Magalhães estreou-se com este livro em 2008 na escrita de romances históricos , e apesar de este não ser um título recente e em voga, sou mulher para escrever sobre ele, na esperança de ressalvar o que merece ser dignamente relembrado. Depois deste estou curiosa sobre os outros do mesmo autor que lhe sucederam...A quem gosta deste género de leitura e ainda não leu: recomendo vivamente!

Autor     Júlio Magalhães
Publicação    2008
Editora    Esfera dos Livros

Saudade...ah Saudade!



O meu domingo foi passado pacificamente em casa, na perspectiva das 5 da tarde! Já andava para reservar um espacinho para esta visita há algum tempo e não queria de todo deixar passar deste fim-de-semana. Reservei-lhe o final de Domingo. Á espera da Sophie, preparei-me para um verdadeiro chá das 5 e uma amena conversa certamente. Sintra era o destino. O final de tarde em Sintra sempre me agradou pela pacificidade das ruas: os turistas seguem para os seus hotéis e os habitantes recolhem-se a casa para preparar o jantar, ficamos só nós e aquela aura de tempo suspenso como que por magia, tão típica desta vila. Fomos com um objectivo certo e uma curiosidade voraz: conhecer o Café Saudade. Se fizerem uma rápida pesquisa no google apercebem-se o quanto este local é cada vez mais de eleição e as razões para tal, repetem-se e enriquecem-se a cada pessoa que por já lá passou. Mesmo depois de já ter lido várias descrições e ter visto imagens do local, não queria deixar de visitar. Já em Sintra, passa despercebido e só nos demos conta de estar no local certo porque reconhecemos a fachada com o lema Saudade -Vida&Arte- Amor! O próprio nome vem carregado de significado. Ao entrar, soava a banda sonora do filme A Vida é Bela e dei-me conta da exclusividade deste espaço: a bancada típica dos supermercados do tempo dos meus pais, as cadeiras de madeira, com detalhes típicos de outra era, os pequenos naprons rendados nas mesas de mármore, entre tantos outros pormenores. Queríamos ver tudo! Sentadas à mesa com o menu à nossa frente fomos descobrindo mais sobre a história deste local: o próprio menu a conta! Este espaço singular é resultado da remodelação das ruínas de uma das mais antigas fábricas de queijadas SAPA da vila, datada de 1889. Na remodelação mantiveram a estrutura inicial da fábrica o que nos transporta para outros tempos da nossa cultura e adicionaram pequenos apontamentos que nos “capturam” pela sua beleza na simplicidade, criando em quem por lá passa a sensação de familiaridade e conforto. De facto a nossa visita não era de todo apressada e ainda bem. Havia muito para apreciar. O interior dividido em várias salas, cada uma com valências diferentes, e no exterior dispõe de algumas mesas, tanto no pequeno alpendre na frente do edifício, como num confortável terraço interior. Fomos explorando cada sala enquanto esperávamos pelo nosso chá Campestre e scones XL com manteiga. O artesanato encontra-se patente em todas as salas e disponível para compra.
Quando chegaram os nossos scones sentamo-nos para apreciar o que tínhamos à mesa. Confesso que nunca tinha comido um scone tão delicioso: ainda vinha quentinho, a manteiga derretia-se facilmente e desfazia-se na boca. O chá num aroma muito suave e um travo doce, era composto por pedaços de maçã e pêssego, folhas de hortelã, casca de laranja, lavanda, raiz de valeriana, camomila romana e flores de malva azul…único! Os chás podem ser comprados também (tal como quase tudo o que produzem lá), vêm em pequenos saquinhos de papel amorosos e é uma tentação não levar um para casa. E para além das deliciosas iguarias sugeridas na carta (bolos caseiros, scones, queijadas, travesseiros, chás, etc), o Café Saudade assume-se também como um espaço cultural, pelas exposições patentes, mas também por disporem música ao vivo dentro do Jazz, música antiga e também fado. Pode ser que para a próxima consiga falar com os donos e através deles saber ainda mais sobre toda a envolvência deste espaço maravilhoso. No entanto ainda bem que já lá fui, primeiro porque viemos de lá a sentir que a vida é mesmo bela; e depois porque assim posso partilhar com vocês e aconselhar-vos a irem também à descoberta!


O Pacto!

Ontem, eu e a Sophie decidimos fazer um final de tarde diferente pela Baixa-Chiado. Decidimos ir ver as novas colecções que já se moldam nas lojas e pôr em prática o nosso sentido de Fashionportunidade amador. Quem diz que todas as lojas são iguais engana-se redondamente nessa teoria. Eu não dispenso uma boa visita ás lojas da Baixa-Chiado, algumas do Colombo e algumas do Dolce Vita Tejo, por exemplo, e ainda,ás vezes, a Avenida. Cada colecção tem um público-alvo e dependendo da zona e do tipo de população que a habita e frequenta, a estratégia logista adapta-se... assim como as colecções.


Os saldos estão praticamente extintos e como nós estamos em declarada recessão, decidimos fazer um pacto: "tens, a todo o custo, impedir qualquer impulso consumista que eu tenha!" "E tu a mim!" . E este foi o nosso pacto, sem cuspe nem sangue, só assim simple&clean!


Ver as novidades em acessórios e cosmética, mantermo-nos atentas ás peças chave das NOVAS colecções, mas ainda assim conseguir manter os trocos nas carteiras e acima de tudo os cartões! Esse sim era o verdadeiro desafio. Na verdade, queriamos provar que as mulheres conseguem fazer uma visita inocente com as amigas ás lojas e que o vislumbre do contrário não passa de um simples mito urbano.



Bom...a verdade é que não nos controlamos totalmente e apesar de não termos ultrapassado os 10€ cada uma, ficou comprovado que na verdade é quase impraticável uma mulher sair para ir "ver" sem "trazer"...mas shhhshhhshhhshhh! Fica só entre nós ;)